Se você não influencia sua equipe, alguém vai influenciar.
Existe uma habilidade que, na minha opinião, separa os gestores comuns dos líderes que realmente conseguem construir equipes de alta performance.
Não é conhecimento técnico. Não é experiência. Nem carisma.
É presença.
Ao longo dos últimos anos, liderando equipes e acompanhando donos de agropecuárias e gestores em diferentes regiões do Brasil, percebi um padrão.
Quando uma empresa sofre com alta rotatividade, baixo engajamento ou falta de comprometimento, raramente o problema começa nas pessoas, na maioria das vezes, começa na ausência da liderança.
Muitos gestores acreditam que liderar é contratar alguém competente, explicar o trabalho e acompanhar os números no fim do mês.
Mas liderança não funciona assim, as pessoas precisam de direção, precisam de acompanhamento, precisam saber se estão indo bem, onde podem melhorar e sentir que existe alguém interessado no seu desenvolvimento.
Isso vale para um vendedor que acabou de entrar e também para um gerente experiente.
Há pouco tempo conversei com um profissional que havia acabado de mudar de empresa. Perguntei como estavam as primeiras semanas.
A resposta me chamou atenção.
Ele disse que praticamente ninguém conversava com ele. Não recebia feedback, não tinha reuniões individuais e, quando surgia uma dúvida, cada pessoa respondia de um jeito diferente.
Ele não reclamava do salário, não reclamava da estrutura, reclamava da falta de liderança. E o mais curioso é que já estava pensando em procurar outra oportunidade.
Isso acontece muito mais do que imaginamos, principalmente no agro.
Vivemos um momento em que contratar gente boa está cada vez mais difícil. Mas reter essas pessoas depende muito menos do mercado do que da qualidade da liderança. Quem acompanha meu trabalho já me ouviu dizer várias vezes que pessoas não permanecem apenas por causa do salário. Elas permanecem porque sentem que estão crescendo, porque são reconhecidas, porque enxergam futuro.
E isso não acontece por acaso. Acontece através da presença do líder.
Presença não significa ficar fiscalizando cada passo. Também não significa passar o dia inteiro perguntando como está o trabalho. Significa criar momentos consistentes de conexão.
É fazer um bom 1:1. É dar um feedback no momento certo. É perceber quando alguém está desmotivado antes que essa pessoa entregue o pedido de demissão. É desafiar quem está performando bem a assumir responsabilidades maiores. É estar próximo o suficiente para perceber o que os indicadores ainda não mostram.
Existe uma frase que gosto muito.
“A cultura sempre será liderada por alguém.”
Se o líder deixa de ocupar esse espaço, outra pessoa ocupará, pode ser aquele colaborador que reclama de tudo, pode ser alguém que espalha desânimo, pode ser quem acredita que a empresa nunca faz nada certo.
Quando o líder deixa de influenciar, inevitavelmente outra influência aparece.
E normalmente ela não constrói. Ela destrói.
Por isso acredito que liderança não acontece apenas nas grandes reuniões. Ela acontece nas conversas rápidas do corredor. No telefonema depois de uma visita difícil. Na mensagem perguntando como foi uma negociação importante. Na reunião semanal. No interesse genuíno pelo desenvolvimento das pessoas.
É nessas pequenas interações que a confiança é construída.
E confiança leva tempo.
Assim como um relacionamento ou um jardim, ela precisa ser cultivada continuamente. Se você se afasta por muito tempo, outras coisas começam a ocupar aquele espaço.
No fim das contas, liderar exige tempo, energia e intenção. Mas também é um dos investimentos com maior retorno dentro de qualquer empresa. Porque processos podem ser copiados. Produtos também. Uma equipe comprometida, não. Ela é construída todos os dias.
Então deixo uma reflexão.
Hoje, sua equipe enxerga você apenas como alguém que distribui tarefas…
…ou como alguém que realmente participa do desenvolvimento de cada pessoa?
Essa resposta talvez explique boa parte dos resultados que sua empresa terá nos próximos anos.
Um grande abraço,
Renan Superti


